Para onde voam as feiticeiras
O filme de abertura do 9º olhar de Cinema de Curitiba não poderia ser mais propício. Tal qual o Festival, que traz olhares diversos para a cena cinematográfica, a obra dos diretores Eliane Caffé, Carla Caffé e Beto Amaral busca diversificar o olhar da lente, dando voz à diversidade de gênero e etnia.
Não há uma regra nem dispositivo específico, ainda que os debates aconteçam intercalados com performances para a câmera, contando ainda com uma espécie de microfone aberto para que outras pessoas possam se manifestar. Isso não impede que, em determinados momentos, outras dinâmicas surjam, como assistir a uma pregação no meio da rua.
A metalinguagem traz o filme para dentro dele mesmo, as discussões do grupo sobre as estratégias de ação e as escolhas de algumas etapas são expostas. Expõe-se também as agressões que sofrem de transeuntes preconceituosos, o que também puxa novos debates.
A complexidade da identidade de gênero e as possibilidades de se expressar em sua sexualidade abrem leques não apenas para discussões e performances musicais. São também uma oportunidade para refletir sobre a complexidade dos seres humanos e que rótulos são apenas formas de encaixe que também geram preconceito.



