Nardjes A.
Karim Aïnouz foi à Argélia para resgatar suas origens, como diz a sinopse oficial, mas chegando lá, encontrou a jovem ativista Nardjes. Entusiasmado pela força da juventude em luta contra o governo, o cineasta cearense resolveu emprestar sua câmera para acompanhar a moça por 24 horas ao redor de uma manifestação em pleno Dia Internacional das Mulheres.
Ao mesmo tempo a proposta de Karim Aïnouz não parece mesmo ser a de explicar os conflitos na Argélia, as reivindicações dos jovens vs as ações do governo. O filme parece apenas querer pulsar esse entusiasmo e esperança de mudanças. Como se o cineasta quisesse nos passar o que o fez escolher retratar esse momento.
Para quem queria fazer um filme biográfico, Karim acaba saindo completamente de cena para dar lugar ao outro. Mas, curiosamente, ao fazer isso, acaba se colocando mais no filme do que se falasse sobre sua própria vida. Em sua escolha por resgatar esse frescor juvenil, o cineasta parece estar buscando esse espírito guerreiro em si mesmo. Fica implícito, também, um paralelo com a própria situação do Brasil.



