O índio cor de rosa contra a fera invisível: A Peleja de Noel Nutels
. O nome é imenso e já traduz bem a obra. Através de um excelente trabalho de resgate e restauração, Tiago Carvalho nos traz a luta do sanitarista Noel Nutels.
Conhecido como médico dos índios, o ativista dedicou sua vida aos povos originais, cuidando e sendo uma espécie de porta-voz de seus direitos, negligenciados desde o princípio, com a chegada dos portugueses ao país.
Tiago Carvalho traz o depoimento original do médico ao congresso em plena ditadura militar. Uma fala forte e pulsante que analisa de maneira bastante lúcida a situação dos índios no país naquele momento e toda a dívida histórica que temos com eles.
Para ilustrar essa fala, imagens de arquivo do próprio médico em suas missões a territórios indígenas nos dão um pouco da dimensão dessa luta e da urgência do tema. A busca por respeito e empatia, que até hoje esses povos não conquistaram, vide a dificuldade da demarcação das terras.
Em plena pandemia do Covid-19, em que um número imenso de indígenas sofrem e morrem com a doença, é também forte ver e ouvir esse descaso que já vem de séculos. Mais uma vez, o passado nos faz refletir sobre o presente de uma maneira única.
É importante perceber também que, em nenhum momento, Noel Nutels se coloca ou é colocado como herói. Como homem branco, ele é bastante consciente da dívida com aqueles povos e de que não pode se sentir como um deles. Sua missão é sensibilizar seus iguais para aquilo.
O índio cor de rosa contra a fera invisível: A Peleja de Noel Nutels é daquelas obras que ganham força pela temática. Mas o material de arquivo e a maneira como Tiago Carvalho e Claudio Tammela manipulam essas imagens e sons também impressionam. Uma obra que merece ser vista por todos.
Filme visto no 9º Olhar de Cinema de Curitiba.
O índio cor de rosa contra a fera invisível: A Peleja de Noel Nutels (Brasil, 2020)
Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.
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