Recuperação dos filmes da Atlântida

O cinema nacional viveu de ciclos regionais, até que no final dos anos 40, começaram as primeiras tentativas de industrialização. As mais bem sucedidas foram a Vera Cruz, uma empresa paulista criada com os moldes de Hollywood, e a Atlântida no Rio de Janeiro, famosa por suas chanchadas. Os cinemas lotavam para ver as aventuras de Oscarito, Grande Otelo e Ankito.

A Atlântida Cinematográfica tinha pouca estrutura e equipamento, mas se caracterizava por uma produção constante. Estreiaram com o sucesso Moleque Tião (1941), drama baseado na vida do comediante Grande Otelo, que interpretou a si próprio no filme. Luiz Severiano Ribeiro, dono do maior circuito exibidor brasileiro, associa-se e passa a facilitar a exibição dos filmes da Atlântida, vindo a comprar a empresa em 1947. Pela primeira vez no cinema brasileiro, estão associados produção e exibição.

Foi então, que a empresa começou a produzir os musicais populares com tons de comédia, as chamadas chanchadas. O sucesso foi garantido, principalmente porque foi com a Atlântida que começou no país uma espécie de star-system. Utilizando estrelas do rádio, o cinema começou a atrair o público para as salas de projeção, dando visibilidade aos filmes.

Com o fim da Atlântida, a maior parte desse acervo estava perdido para o grande público, porém um projeto do Ministério da Cultura está agora digitalizando todas as obras da companhia que me breve estarão disponíveis em DVD.

“Entre o acervo estão filmes de longa e curta metragem, documentos de época, cinejornais e fotos. A Cinemateca Brasileira, em São Paulo, instituição vinculada ao MinC, vai ficar responsável pela restauração, digitalização, preservação e divulgação do material.”

Uma ótima notícia para todos os cinéfilos e para a história do cinema nacional.

Amanda Aouad

Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.

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