And the Oscar goes to…
Um misto de frustração e orgulho, esse pode ser o sentimento que desperta nos brasileiros após essa noite de
Oscar. É compreensível, após a vitória de Ainda Estou Aqui o sonho da estatueta não parecia mais um sonho impossível. Era mesmo muito difícil levar dois anos seguidos, mas pelo segundo ano consecutivo estivemos lá. Entramos e saímos pela porta da frente. E sim, é para ter muito orgulho do cinema nacional, de O Agente Secreto e de Wagner Moura. Foram muitos prêmios e muitos destaques desde a estreia em Cannes. Mas, o Oscar… é o Oscar.
E ainda que a premiação tenha começado de maneira morna e com um certo clima anti-político. Foi também uma noite histórica, com falas importantes e prêmios que quebraram tabus. A começar pela primeira mulher a levar uma estatueta de melhor direção de fotografia da história do Oscar. E o fato dessa mulher ser uma mulher negra, foi ainda mais simbólico. Autumn Durald Arkapaw não apenas venceu, como reforçou a importância de seu feito ao pedir que todas as mulheres se levantassem com ela.
Pecadores já tinha feito história ao ter 16 indicações, um recorde. Saiu com quatro estatuetas, melhor fotografia, melhor trilha sonora, melhor roteiro original e melhor ator para Michael B. Jordan, o que também entra para a história, em uma temporada em que isso parecia um sonho distante.
Mas o grande vencedor da noite foi mesmo Uma Batalha Após a Outra. Paul Thomas Anderson finalmente levou o prêmio de melhor direção, após tantas indicações e tantos elogios a maneira como sempre dominou a linguagem cinematográfica. Melhor filme, melhor direção, melhor direção de elenco, melhor roteiro adaptado, melhor montagem e melhor ator coadjuvante para Sean Pean que não foi à premiação. O que pareceu mais um ato político de protesto.
Em filme internacional deu Valor Sentimental. O filme norueguês estava em uma crescente realmente, o que frusta um pouco o sonho brasileiro e também o momento político mundial em uma categoria em que tinha três filmes políticos, um melodrama vencer, não deixa de ser simbólico. Destaque ainda pro fato de que a obra tem partes faladas em inglês e a presença da atriz Elle Fanning. Uma pena também que Hamnet tenha ficado apenas com o esperado prêmio de melhor atriz para Jessie Buckley.
Não se pode deixar de apontar também a importância da vitória de Guerreiras do K-Pop em melhor animação e melhor canção original. Uma prova de que com investimento em cultura, um país consegue se destacar mundialmente e se tornar referência. A fala de Maggie Kang sobre representatividade emocionou “e para todos que se parecem comigo, eu sinto muito que tenhamos demorado tanto para nos vermos em um filme como esse, mas está aqui. E isso significa que as próximas gerações não têm que ficar esperando”. Quem sabe o exemplo da Coreia do Sul inspira o Brasil, afinal, tudo que colhem hoje é fruto de um investimento que iniciou nos anos de 1980, com editais de cultura e reserva de mercado.
De qualquer maneira, foi uma noite para ficar na história. Que possamos ter mais filmes brasileiros conquistando o mundo. E principalmente, filmes nacionais conquistando o coração dos brasileiros, enchendo as salas de cinema e batendo recordes de bilheteria e views no streaming.
Melhor Filme
Uma Batalha Após a Outra
Melhor Filme Internacional
Melhor Ator
Michael B. Jordan – Pecadores
Melhor Atriz
Jessie Buckley – Hamnet
Melhor Direção
Paul Thomas Anderson – Uma Batalha Após a Outra
Melhor Ator Coadjuvante
Sean Penn – Uma Batalha Após a Outra
Melhor Atriz Coadjuvante
Amy Madigan – A Hora do Mal
Melhor Roteiro Original
Melhor Roteiro Adaptado
Uma Batalha Após a Outra
Melhor Direção de Elenco
Uma Batalha Após a Outra
Melhor Animação
Melhor Documentário
Mr. Nobody Against Putin
Melhor Fotografia
Melhor Figurino
Melhor Montagem
Uma Batalha Após a Outra
Melhor Direção de Arte
Melhor Trilha Sonora
Melhor Canção Original
“Golden” – Guerreiras do K-Pop
Melhor Maquiagem e Penteado
Melhor Som
F1: O Filme
Melhores Efeitos Visuais
Avatar: Fogo e Cinzas
Melhor Curta Animado
The Girl Who Cried Pearls
Melhor Curta Documentário
All the Empty Rooms
Melhor Curta (empate)
Os Cantores
Two People Exchanging Saliva

