Entrevista Exclusiva com Octavia Spencer

Duas vezes indicada ao Oscar, tendo vencido por seu papel de Minny em Histórias Cruzadas, Octavia Spencer é um dos grandes nomes de Hollywood hoje. A atriz já atuou em mais de cem filmes e séries. Só este ano, ela está em quatro produções, três filmes que serão lançados no cinema, além do encerramento da série Divergente para a televisão. Versátil e talentosa, Spencer também produziu, roteirizou e dirigiu dois curtas documentais e produziu outros dois longas.

A atriz veio ao Brasil para divulgar A Cabana, filme baseado no best-seller de William P. Young, onde interpreta ninguém menos do que Deus. Apelidado carinhosamente como Papa, a entidade personifica uma figura acolhedora para a personagem de Sam Worthington, que está passando por um sério problema em sua vida. Entre descrença, sofrimento e questionamento sobre a justiça divina, Mack Phillips tem um fim de semana com Papa, Jesus e o Espírito Santo em um belo resgate da fé e da verdadeira mensagem de Deus, que é amor.

Como não pudemos ir ao Rio, a Paris Filmes convidou o CinePipocaCult para uma entrevista por telefone com a atriz. E contamos com a colaboração da pesquisadora e crítica cinematográfica Hilda Lopes Pontes para conduzir esse bate-papo.

Entrevista com Octavia Spencer por Hilda Lopes Pontes especial para o CinePipocaCult:

Entrevista - Octavia Spencer - A Cabana - foto Ricardo GamaCinePipocaCult – Como você se preparou para interpretar “Papa” em A Cabana?
Octavia Spencer – Então… a preparação já usual para a criação de uma personagem. Eu conversei com um pastor, nós fizemos uma pesquisa sobre a doutrina cristã. Depois eu li alguns livros que o diretor me pediu para ler. Basicamente eu pensei que deveria lidar com a personagem (de Sam Worthington) como se ele fosse ainda uma criança.

CPC – A personagem de Sam Worthington questiona a justiça divina na obra. Qual sua relação com a divindade? E algo mudou com a experiência desse filme?
OP – Eu cresci com fé, ela faz parte da minha vida. E claro, depois do filme, muita coisa mudou pra mim, eu percebi, fazendo parte deste projeto. Foi uma das coisas que amei quando comecei a ler o livro. Eu percebi que todos nós temos coisas que nos apegamos e que, às vezes, nem percebemos que nos apegamos tanto. Então foi ótimo poder me libertar de algumas coisas.

CPC – Trazer um best seller da literatura para as telas, sempre gera expectativas, você já tem visto a recepção dos fãs em relação ao filme? Há uma cobrança por fidelidade?
OP – Eles precisam, se são fãs. Quando eu leio livros e eles transformam em filme, espero que seja mais próximo do livro que puder e eu acho que A Cabana faz isso.

CPC – Ainda que seja uma representação simbólica para a personagem de Sam Worthington, como você vê a importância de Deus ser uma mulher negra?
OP – Eu não vejo como importante, eu vejo como um mecanismo na história. Eu acho que as pessoas estão focando no meu gênero e etnia e não estão vendo a real mensagem do filme.

Entrevista - Octavia Spencer - A Cabana - foto Ricardo GamaCPC – Como você vê o papel e o lugar das mulheres em Hollywood hoje em dia?
OP – Eu penso que as pessoas na posição de poder entendem sobre dinheiro. Este fim de semana temos A Bela e a Fera como destaque de bilheteria em relação a outros filmes ao redor do mundo. Estrelas Além do Tempo é um filme em que as mulheres são protagonistas e também fez uma ótima bilheteria e temos La La Land, que possui uma mulher como estrela do filme e também fez muito dinheiro ao redor do mundo. Eu acho que as pessoas começaram a entender o valor de projetos protagonizados por mulheres.

CPC – Viajando para divulgar A Cabana, você deve dar muitas entrevistas e sempre tem perguntas parecidas. Porém tem alguma pergunta que não te fizeram e você gostaria de ter a oportunidade de responder?
OP – Eu acho que as pessoas perguntam o que eles sentem que seu público quer ouvir. E eu não tenho problemas em responder sempre as mesmas coisas, porque eu entendo a necessidade delas.

CPC – Você tem ainda mais dois filmes que serão lançados esse ano nos cinemas, fora a conclusão da série Divergente. Como conciliar uma agenda tão cheia?
OP – (risos) Então… eu sou muito grata em fazer o que amo. E isso significa que eu sempre tenho que viajar muito e, nesse estilo de vida, tem muita coisa que preciso me acostumar, mas é o que escolhi fazer e o que amo fazer.

CPC – E já tem novos projetos em andamento?
OP – Esse mês tem a estreia de Gifted (sem nome em português ainda), com o Chris Evans como protagonista, e estou muito empolgada com esse filme e com o lançamento dele.

Fotos: Ricardo Gama

Amanda Aouad

Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *