Dose Dupla

Dose DuplaBaseado na HQ de Steven Grant com desenhos do brasileiro Mateus Santolouco, Dose Dupla é daqueles filmes que quebram e seguem os padrões do gênero. Afinal, bons filmes de ação com comédia foram feitos dentro da fórmula de duplas. Aqui, a dupla tem suas peculiaridades, mas não deixa de funcionar bem.

Denzel Washington e Mark Wahlberg são dois infiltrados no mundo do narcotráfico, com o intuito de investigar e desmascarar um procurado traficante mexicano. O problema é que um não sabe da verdadeira identidade do outro. Denzel Washington é Bobby, agente especial da divisão de narcotráfico, enquanto que Mark Wahlberg é Stig, oficial da inteligência da Marinha. Seguindo as ordens, os dois preparam um assalto a um banco, que supostamente deveria pegar o sujeito, mas tinha muito mais coisa por trás desse plano.

Dose DuplaO filme tem uma premissa curiosa e o roteiro consegue construir muito bem o primeiro ato da trama, nos dando informações aos poucos e brincando inclusive com o tempo. A cena inicial na lanchonete é muito bem feita e funciona tanto no início quanto na volta. O fato de irmos entendendo aos poucos o plano e o que está por trás também é positivo.

O problema começa quando descobrimos o que está por trás e pouca coisa começa a fazer sentido. Aliás, todo o terceiro ato parece esquecer lógica, roteiro, verossimilhança e simplesmente se transforma em tiroteios, confusões e algumas piadinhas com pista e recompensa. Toda a sequência na base naval da Marinha é absurda. E a parte final no deserto mexicano também abusa.

Dose DuplaPorém, o filme não se perde por causa da boa construção dos dois protagonistas. Tanto Bobby quando Stig são os típicos personagens fáceis de se identificar e pelos quais torcer. Ainda mais depois de vê-los enrolados em tantas tramóias quando apenas seguiam ordens. Isso sem falar do talento de Denzel Washington e Mark Wahlberg para os tipos de papéis. E da química entre os dois que funcionam muito bem como parceiros e melhor ainda como rivais disputando o melhor espaço.

Quando estão no chão, investigando, brigando ou disputando algo, as coisas fluem. Quando pegam um carro ou entram em ação, muitas vezes desanda. O primeiro duelo deles tendo o traficante dentro do porta-malas de um deles, por exemplo, é absurdo e cansativo. Já a cena em que Bobby está na casa de Stig, enquanto este observa pelo telhado, é muito boa.

Dose Dupla, no final das contas, é um filme inofensivo. Traz bons momentos e boas sensações dos filmes de ação com comédia, que se baseiam em duplas a exemplo de Máquina Mortífera e Homens de Preto. Mas também se perde em algumas escolhas e resoluções. Nada que nos irrite ao extremo, nem ofenda nossa inteligência. Apenas uma bobagem com momentos divertidos e alguns absurdos.

Dose Dupla (2 Guns, 2013 / EUA)
Direção: Baltasar Kormákur
Roteiro: Blake Masters
Com: Denzel Washington, Mark Wahlberg, Paula Patton
Duração: 109 min.

Amanda Aouad

Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.

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