Hackers – Piratas de Computador

Angelina Jolie1995, a Internet ainda era um esboço no mundo inteiro, era preciso “desenhar” para que o público entendesse. Talvez por isso, o diretor Iain Softley tenha criado aqueles efeitos tridimensionais para simular o passeio dos personagens pelo mundo cibernético em Hackers. A falta de informação era tanta que o título brasileiro veio acrescido do singelo subtítulo: piratas de computador. Ok, não é nenhuma obra-prima, não revolucionou o cinema, assemelha-se mais a uma Sessão da Tarde com vários adolescentes “aprontando muito”. Mas, não deixa de ser interessante.

A história começa com um prólogo contando a trajetória de Zero Cool, um garoto que inutilizou 1507 computadores em Wall Street com um vírus. Indiciado e condenado ele fica até os dezoito anos proibido de tocar em um computador, mesmo assim, torna-se uma lenda no mundo virtual. Quando se muda para uma nova cidade junto a sua mãe, o garoto conhece outros Hackers e acaba envolvido em uma caçada especial. Um maluco armou um plano mirabolante com um vírus especial para dar um golpe na empresa que trabalha e culpar os “Hackers”. É engraçado que a categoria fica totalmente estilizada, como uma gang. Mas, ao mesmo tempo, o filme brinca com esse estereótipo, afinal, são eles os injustiçados, que tem que se unir para limpar o nome.

HackersUm dos primeiros filmes de Angelina Jolie, como lembrou Márcio Melo do Porra Man, em um comentário aqui no blog. A atriz é uma das adolescentes “fera” no computador. Cabelo curtinho, estilo líder da turma, ela chama a atenção. Em termos de atuação, no entanto, não é grande coisa, como a maioria do elenco. Principalmente o caricato vilão vivido por Fisher Stevens.

Aliás, toda a estética do filme é estereotipada, com roupas psicodélicas em cores berrantes. Angelina Jolie parece mais uma versão tímida de de Lady Gaga do que uma profissional da computação. Fora a eficiência da polícia em localizar os pequenos infratores. Mas, como já falei, a época diz muito. O público ainda achava que tecnologia e internet eram coisas do outro mundo. Por isso a estilização. Ninguém em sã consciência acharia aquilo tudo real.

Independente da verossimilhança ou exageros, no entanto, o filme é divertido. É possível se envolver com aqueles garotos e sua trajetória de guerra cibernética. Além de conhecer o primeiro papel de algum destaque de Jolie. Quer algo mais cult que isso?

Amanda Aouad

Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.

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