Freddy Krueger no cinema

Freddy KruegerEm 1984 chegava as telas o filme A Hora do Pesadelo, dirigido e escrito por Wes Craven, o filme tornou-se uma febre do gênero de terror e eternizou o personagem Freddy Krueger como um dos vilões mais conhecidos da história do cinema. O sucesso foi tanto, que as sequências não pararam, foram sete filmes, além do pífio Freddy vs. Jason de 2003. A história, dizem, é inspirada em um caso da infância de Craven que ficou conhecido como Síndrome da Morte Súbita Asiática. Um assassino de crianças em série é queimado pelos pais revoltados e volta nos pesadelos de seus filhos para atormentá-los.

Novo FreddyVinte e cinco anos depois, o diretor Samuel Bayer, com o roteiro de Wesley Strick e Eric Heisserer, resolvem revisitar o mito com tecnologia mais apurada, efeitos especiais interessantes, e uma história melhor amarrada. Mas que, ainda assim, esbarra em um detalhe importantíssimo: o primeiro Freddy Krueger é Robert Englund e, por mais que Jackie Earle Haley seja um excelente ator, não é a mesma coisa. A nova tecnologia também acabou atrapalhando uma característica fundamental, o rosto do vilão. Mais aberto e derretido, ele perdeu todas as expressões faciais que lhe davam um tom ainda mais sarcástico.

Na verdade, a melhor coisa desse filme foi eu ter assistido em uma pré-estreia especial à meia noite. O cinema estava todo caracterizado com luzes vermelhas, cartazes e exposição de DVDs, bonecos e acessórios de Freddy. O boneco é tão bem feito que, fotografado de perto ficou parecendo que o personagem estava lá com a gente.

Na pre-estreia em Salvador,
alguns artigos foram expostos, como o boneco...
e a famosa luva.

Do filme em si, alguns detalhes da história foram alterados, o que, para mim, soou melhor. Agora confesso que achei estranha a escolha, já que pelo trailer dava a impressão de que o longa privilegiaria a trama anterior ao ocorrido no original. Na verdade, da forma como foi construído, o trailer acaba sendo um grande spoiler, já que o filme foca boa parte da narrativa na descoberta dos pesadelos misteriosos. Tudo bem que os realizadores podem contra-argumentar que todos já viram algo de A Hora do Pesadelo e sabem do que se trata, mas, então, pra que essa construção fílmica?

Cartaz de A Hora do PesadeloA grande sacada de A Hora do Pesadelo ao ser lançado em 1984 foi misturar realidade com imaginação, brincando com o medo que toda criança tem do desconhecido. Talvez por isso, a história funcione tão melhor aos olhos infantis, onde a sensação de ameaça é muito maior. Porque o filme não se baseia no efeito do susto. Ele está sempre enunciado e previsível. A gente sabe quando o personagem está sonhando, e a gente sabe que quando ele está sonhando Krueger irá aparecer. Tudo é repleto de clichês e poucas vezes somos surpreendidos. A própria música colabora com esse efeito, sempre dando indícios de quando o perigo está iminente. Aliás, a trilha sonora é outro ponto forte do filme, sempre eficaz.

O terror que A Hora do Pesadelo tenta despertar é a confirmação de nossos maiores medos e a forma como o vilão mata, sempre de forma exageradamente cruel, com sangue jorrando para todos os lados. Para a criança que vê aquilo, o medo é grande, para o adulto pode tornar-se risível depois de tantos filmes. Nancy continua sendo um contra-ponto interessante, e a novata Rooney Mara defende bem o seu papel, mas falta algo para este filme que nunca chegará aos pés do clássico dos anos 80. Aliás, eu espero, sinceramente que não venham outras continuações por aí.

Amanda Aouad

Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.

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