Simplesmente Complicado

Simplesmente ComplicadoDizer que Meryl Streep é uma excelente atriz é chover no molhado. Ainda assim é impressionante a capacidade que essa mulher tem de brincar com a arte de interpretar mesmo em comédias tão despretensiosas como Simplesmente Complicado. Pode parecer besteira, mas eu gostei mais dela aqui do que em Julie&Júlia. A comparação é porque ela foi indicada pelos dois papéis no Globo de Ouro, vencendo por Júlia, papel com o qual também foi indicada ao Oscar.

Simplesmente Complicado é aquele típico alívio cômico em sua carreira, bem parecido nesse quesito a Mamma Mia!. Uma comédia inteligente que nos diverte do início ao fim. Claro que a dupla Steve Martin e Alec Baldwin ajuda, mas o filme é mesmo de Streep. Ela é Jane, uma mulher divorciada que vira amante do ex-marido ao mesmo tempo em que conhece o arquiteto da reforma de sua casa e começa a se envolver com ele. Seu grande dilema é o de escolher. Uma curiosidade é que, nessa história, o menos cômico é Martin, fazendo um personagem tímido e até um pouco depressivo. Sem contar, que recentemente o trio protagonizou uma das melhores piadas da noite do Oscar, quando os dois apresentadores brincaram com a quantidade de indicações de Meryl Streep dizendo que ela era a recordista de Oscars perdidos.

Meryl Streep, Steve Martin e Alec Baldwin Depois do enorme sucesso com Do que as mulheres gostam e Alguém tem que ceder, Nancy Meyers já se consagrou como diretora e roteirista de comédia romântica com mulheres maduras. Com um humor mais refinado e sutil, o filme nos envolve nas peripécias da protagonista que passam pela culpa, medo, deleite e reflexão sobre sua vida amorosa e objetivos de vida. Em sua jornada, Jane percebe que ainda pode interessar a um homem, ou melhor, a dois. Mesmo que um deles esteja casado com uma jovem e bela mulher. É tudo o que mulheres maduras e complexadas querem para fantasiar a própria vida.

Cotidiano no melhor estilo, Simplesmente Complicado é um filme para dar risada e esquecer um pouco os problemas diários. Nada mais do que isso. Permitindo-se relaxar, é uma aventura muito interessante.

Amanda Aouad

Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.

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