Pequenas Histórias

Pequenas HistóriasSe tem um segmento que ainda é pouco explorado no Brasil é o filme infantil. A maioria das vezes, só resta à criança Xuxa e Os Trapalhões. Filmes como Tainá, Grilo Feliz ou Castelo Rátimbum ainda são poucos, mas já são uma alternativa que aos poucos vai crescendo e ganhando espaço. Assim, achei interessante descobrir Pequenas Histórias. Dirigido por Helvécio Ratton, que já tinha feito O Menino Maluquinho, o longa é, na verdade, uma junção de quatro curtas, costurados pela personagem de Marieta Severo. A atriz interpreta uma senhora na varanda de sua fazenda que conta histórias ao espectador ao mesmo tempo em que borda uma colcha de retalhos. O tom é bem infantil, didático e com uma linguagem televisiva, mas não deixa de ser interessante. Principalmente por explorar a cultura popular brasileira.

O primeiro “causo” é sobre a Iara, sereia do rio que envolve o pescador Tibúrcio com seus encantos. Patrícia Pilar soa meio artificial na pela da sereia, principalmente por sua cauda mal produzida, ainda assim, é engraçado acompanhar o desfecho do casal. O segundo é sobre uma lenda do interior onde toda noite de lua cheia as almas saem em procissão do cemitério e quem for visto por elas irá morrer. O menino Vevé, interpretado muito bem pelo menino Constantin de Tugny, fica impressionado com a história, gerando situações engraçadas. O terceiro, e melhor curta, é sobre um Papai Noel de loja falido. Paulo José dá vida a esse homem azarado que parece não ter mais esperanças na vida, até que o espírito do natal ilumina seu coração. Por esse papel, o ator ganhou o prêmio do Festival de Paulínia. O último conto é sobre Zé Burraldo, em uma interpretação cômica de Gero Camilo. O sertanejo burro que sofre vários golpes, se mete em trapalhadas e surpreende muita gente. É divertido de assistir.

Pequenas Histórias

O filme foi escolhido como melhor longa-metragem infantil pela Academia Brasileira de Cinema em 2009, tendo vencido também como melhor roteiro e melhor ator (Paulo José) no Festival de Paulínia. E não é para menos. Como falei, há uma ingenuidade gostosa em sua produção, lembrando-me minha infância com as histórias do Sítio do Pica-pau Amarelo. Marieta Severo está a própria contadora de histórias, com um tom bem maternal que instiga as crianças. Sua colcha de retralhos unindo os contos lembra a solução do filme de mesmo nome que tem Winona Rider no papel principal. Ainda assim, é uma solução bem interessante e tem tudo para conquistar as crianças.

Amanda Aouad

Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.

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