Zico, o filme

Zico, o filmePeço licença a todos para fazer hoje uma homenagem a meu pai, flamenguista fanático, que ontem comemorou o hexa campeonato brasileiro do Flamengo. Desculpem as outras torcidas, mas não vou sair do tema, vamos falar de cinema. Maior torcida do Brasil, o Flamengo já foi registrado por diversas lentes, principalmente pelo Canal 100 e sua tradicional música, que virou símbolo da Era Zico (“que bonito é…”). Alguns documentários foram feitos, como Heróis de uma nação e Flamengo Paixão e o maior ídolo do time, Zico, também já foi tema de alguns, além de estrelar a fraca ficção Uma aventura do Zico.
Querendo esquecer que um dia assisti a essa requentada comédia sessão da tarde, prefiro falar do docudrama de Eliseu Ewald. O filme mescla imagens reais com encenações de passagens da vida do jogador, que é interpretado por Cláudio Fontana. O resgate histórico é válido, apesar de, em muitos momentos, ficar semelhante ao programa da Rede Globo Por toda a minha vida. Mas, tudo é válido para quem gosta de futebol, não apenas flamenguistas. Zico foi um ídolo nacional, como jogador e como exemplo de pessoa íntegra e que lutou muito para chegar ao topo.

Claudio Fontana em Zico, o filmeO filme conta a trajetória do ídolo, destacando tanto momentos de glória quanto problemas e decepções. E a progressão dramática é forte, apesar da atuação fraca do elenco. O roteiro soube mesclar as dificuldades iniciais em Quintino, a chegada no Flamengo, as vitórias, as derrotas, a não-convocação para Olimpíadas, e a morte de um amigo, com a paixão rubro-negra. Há muitas belas jogadas e partidas históricas.

Eliseu Ewald até hoje só apresentou documentários de pouco destaque, mas consegue ser correto em suas escolhas. Em Zico, ele demonstra falta de maturidade, principalmente nas cenas ficcionadas, porém, coerente. Apresenta um filme que vale mais pelo seu valor histórico que por suas características fílmicas, ainda assim, um clássico para qualquer rubro-negro.

Amanda Aouad

Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.

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