Grandes Cenas: A Noviça Rebelde

A Noviça RebeldeÉ impressionante como um filme de 1965 continua emocionando e despertando interesse até hoje. A Noviça Rebelde deve ser o filme mais reprisado em televisão no final de ano. Pode esperar que ele vai aparecer. É divertido, bem feito, fala de amor, de família, de valores esquecidos e tudo com muita música boa e marcante. A trajetória de Maria é bela e, em sua ingenuidade e pureza, conquista a todos. Por isso, escolhi falar hoje da mais clássicas de todas as cenas, vista e revista por diversas vezes: a cena, ou melhor, a sequência, em que ela ensina as crianças a cantar.

Por que essa sequência é clássica? Porque reúne uma boa música, a bela paisagem da Áustria, uma excelente cantora e sete afinados meninos em um clipe bem conduzido. Não há uma grande invenção cinematográfica, mesmo assim, a gente não se cansa de ver.

A Noviça Rebelde

Reparando o primeiro minuto da sequência, há apenas dois planos: Maria sentada no banquinho em plano fechado e um plano médio lateral dela com os meninos ouvindo. Quando eles aprendem a cantar e levantam, outros enquadramentos são acrescentados, acompanhando a dança e a movimentanção de cena. A brincadeira melhora quando eles já sabem cantar a primeira parte e Maria ensina a misturar as notas compondo melodias. Aí, há um jogo musical interessante, com cada criança representando uma nota musical e Maria conduzindo os jogos de primeira e segunda voz, mesclando três melodias diferentes. Quem nunca cantou ou dedilhou em um teclado essas músicas, atire a primeira pedra.

A trajetória é bonita e mágica, envolvente. A parte da carroça e a da escada são as que possuem a composição mais criativa e o agudo final de Julie Andrews empolga. Muito fofo para um dia de Natal. Revejam, pena que a cena que encontrei no Youtube está rediagramada, cortando as laterais.

Do a dear a female dear Re a drop of golden sun Mi a name i call myself Fa a long long way to run Sol an neadle pulling thread La a note to follow so Ti a drink with jam and bread that will bring us back to Do

Amanda Aouad

Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.

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