Titãs, a vida até parece uma festa

Cartaz Titãs

É, a frase da música diversão é perfeita para descrever a sensação do filme documentário sobre o grupo Titãs. A vida parecia mesmo uma festa quando o grupo começou nos anos 80 e, aos poucos, a realidade foi se tornando cruel para alguns. Houve crises, separações e uma morte. Hoje, os Titãs não são mais os mesmos, nem poderiam. Envelheceram, amadureceram, o mundo mudou e o modelo de rebeldia inicial não cabe mais. Ainda assim, ao contrário do que muitos falam, possuem letras inteligentes e mesmo críticas. Basta ouvir com cuidado a mensagem de A melhor banda de todos os tempos e assistir aos resultados do VMB.

Voltando ao filme, este é na verdade um grande registro que começou como brincadeira de Branco Mello ao comprar uma câmera e começar a fazer imagens das excursões e ensaios do grupo. Resgatar imagens das participações em programas antigos como Chacrinha, Hebe, Bolinha ou Sílvio Santos foi uma complementação. É um resgate histórico de uma das maiores bandas de rock do país. Os oito integrantes são mostrados sem censuras, abordando, inclusive os episódios envolvendo drogas e a prisão de Tony Belloto e Arnaldo Antunes. 

Os Titãs marcou uma geração e foi trilha sonora da minha adolescência, por isso me emocionei em muitos momentos. É muito bom ver as imagens do Rock in Rio, com o show antológico da banda. Ou ainda, acompanhar as brincadeiras no hotel e os momentos de composição. É emocionante relembrar o acidente com Marcelo Frommer e ouvir o depoimento de Branco Mello à imprensa. O clima de nostalgia é o responsável por gostarmos do filme, que como arte cinematográfica tem pouco. A edição é interessante ao criar clipes com várias apresentações da mesma música, mas não chega a ser uma inovação, nem mesmo traz uma linguagem própria. É um registro. E como tal, merece ser visto e comemorado. O DVD traz ainda extras com seis clipes originais.

Amanda Aouad

Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.

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