50 anos do Cinema Baiano (Parte 3)
Após o fim do Ciclo Baiano de Cinema houve um esfriamento da produção local, poucos filmes esporádicos eram feitos, em sua maioria curta-metragem. Para dar vazão a essa produção e continuar a discussão sobre cinema surge a Jornada de Cinema, presente até hoje no calendário cultural baiano. Mas foi o surgimento de uma nova bitola que deu novo ânimo a produção local. Na década 70 surge a bitola super-8, mais barata que a 35mm e com boa qualidade, gera um verdadeiro boom nacional de produção. Na Bahia, não é diferente e jovens cineastas começam a produzir filmes que são destaques até hoje, José Araripe, Pola Ribeiro, Edgard Navarro, Fernando Bélens, entre outros. É o chamado Movimento Super Oito, que conta com filmes como A Conversa (Pola Riberio) e O Rei do Cagaço (Edgard Navarro).
Ganhando experiência, os cineastas começaram a buscar meios de fazer novos filmes de forma independente. No final da década de 80, Edgard Navarro lança, em 35mm, o seu filme mais cultuado e conhecido: SuperOutro. Um média metragem que vale a pena ser revisto.
“Acorda humanidade”, grita o mendigo interpretado de forma fantástica por Bertrand Duarte. SuperOutro é uma sátira a tudo e a todos. O superoutro é um mendigo que tem como missão voar. Ele confronta a polícia, a burguesia e o sincretismo religioso da cidade de Salvador, utilizando de símbolos sobre a exclusão social urbana brasileira, com sarcasmo e ousadia. Um ser com traços esquizofrênicos que mostra os problemas da sociedade que se acha sã. Uma de suas frases símbolo é “para quê que eu vou querer saber de tudo. O dia que eu souber de tudo eu não vou querer saber mais de nada.” O filme ganhou os principais prêmios no Festival de Gramado de 1989 (Melhor Filme, diretor e ator) e é considerado até hoje o grande marco de Edgard Navarro.

———————————-
Roteiro: Edgard Navarro
Fotografia: Lázaro Faria
Música: Celso Aguiar
Montagem: Edgard Navarro Filho
Produção: Edgard Navarro Filho
Produtora: Lumbra Cinematográfica, Sani Filmes, FCB

Apesar de toda hostilidade e incompreensão que encontra pelo caminho, o herói do filme não desiste de sua missão libertária, em sua fantasia, ele se joga do terraço e voa pela cidade de Salvador. É a redenção patriótica, absurda e terminal de um filme inovador e incômodo.
Alguns comentários da época:
“O Superoutro atua no cerne do cinema. É um filme rico, forte, extremamente estimulante. Não tem uma imagem pobre naquele filme. Para mim é o melhor filme da década”. (Caetano Veloso – Revista Tabu – 1989)
“Superoutro é o filme definitivo do cinema baiano na década de 80.” (José Umberto Dias – Cine Imaginário – 1989)
“Um filme feito com vísceras, paixão e alma por um dos mais transgressores dos cineastas brasileiros.” (Maria do Rosário Caetano – Almanaque – 2005)
Atenção*
*Quem não gosta de spoilers, esse vídeo possui um resumo de 5 minutos do filme, com o final incluso, foi postado pelo Nublog, tendo cenas de outros filmes do ator Bertrand Duarte.

