Festival de Trapalhadas

Brad PittUma confusão atrás da outra, é como pode ser definido o novo filme dos irmãos Coen: Queime Depois de Ler. Com um humor inteligente, o roteiro foi indicado pelo sindicato de Hollywood como um dos melhores do ano e não é para menos. Todo o argumento é bem construído, em uma sucessão de trapalhadas que levam a um final, como iremos definir: tragédia pastelão, ou algo do tipo. É surreal, e a conversa entre os agentes define perfeitamente a história: “Volte quando tudo isso fizer sentido”, diz o chefe da CIA ao ser informado do que está acontecendo.

Poster de Queime Depois de LerA história gira em torno de um ex-agente demitido que resolve escrever suas memórias, contando detalhes secretos das ações. Por engano, o CD vai parar nas mãos de Chad e Linda, dois estranhos funcionários de uma academia de ginástica que resolvem tirar proveito das informações. Brad Pitt está ótimo como o atrapalhado Chad, e Frances McDormand defende muito bem sua ambiciosa Linda, que quer acima de tudo concluir sua cirurgia plástica. Destaque também para George Clooney, como o hipocondríaco Harry, detetive chamado para investigar o caso.

Apesar de bem escrita, a história do filme não passa de uma bobagem e talvez, por isso, não tenha tido vez no Oscar. Mesmo assim, a construção da trajetória nos envolve de uma maneira que ficamos presos à trama e é impossível não rir com a conversa final, entre o chefe e o engarregado da CIA. Define muito bem tudo que acabamos de ver. A direção também, merece destaque, com planos bem definidos, sucessão de cenas rápidas e instigantes, além das atuais naturais. Mais um mérito para os irmãos Coen, que sempre buscam aprimorar suas idéias e trazer originalidade ao cinema Hollywoodiano.

Amanda Aouad

Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.

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