Festival Nacional

A Globo começa hoje o Festival Nacional que exibirá quatro filmes brasileiros em seu horário nobre. Desde que criou a Globo Filmes em 2000, esperava-se que a Rede Globo desse mais espaço para o cinema nacional em sua grade, porém, o que vemos são raros filmes passarem na Tela Quente e quando surgem festivais como este o primeiro escolhido é A Grande Família, uma obra de um produto da emissora. Sem falar do Coronel e o Lobisomem, que também já foi um Caso Especial e Ó Paí Ó, que acabou de ser exibido em minissérie. Claro que neste caso sabemos que o filme veio antes e que, por trás, há todo o trabalho do Bando de Teatro Olodum, mesmo assim, não deixa de ser um produto da casa. Não estou aqui querendo ser inocente, nem levantar a bandeira do “cinema cabeça”. A Rede Globo é uma empresa que visa o lucro e raciocina como tal. Acontece que existem bons produtos nacionais, mesmo na Globo Filmes e por que não passá-los? Por que investir em pseudo-filmes como Olga na Tela Quente e deixar fora da grade obras mais interessantes?

Deste Festival Nacional, uma grata surpresa fica por conta de Bendito Fruto. Vencedor do Festival de Brasília, o filme fala de tolerância racial e sexual. Dirigido por Sérgio Goldenberg, tem Zezé Barbosa e Otávio Augusto como casal atípico. Ele finge ser gay (por ser cabeleireiro) e a apresenta como sua empregada. A trama confronta ainda os preconceitos sexuais, quando descobre-se que o filho do casal namora o galã de uma novela que o grupo do salão assiste. Tudo de forma leve e bem humorada, já que trata-se de uma comédia. Vale a pena conferir na Rede Globo, quinta-feira, após a minissérie Maysa.

A Grande Família – O filme (terça – 06/01)
O Coronel e o Lobisomem (quarta – 07/01)
Bendito Fruto (quinta – 08/01)
Ó Paí Ó – O Filme (sexta – 09/01)

Em contraponto com o Festival Nacional da Rede Globo, temos o Festival Latino da TVE. Em parceria com a TV Brasil e TV Cultura, a emissora transmite de 05 a 11 de janeiro diversos filmes latino-americanos, com direitos a clássicos como O bandido da luz vermelha de Rogério Sganzerla e filmes mais recentes como Amarelo Manga, Cláudio Assis, ou Whisky, dos uruguaios Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll. Uma versão alternativa do Festival Nacional da Rede Globo, com filmes premiados para todos os gostos e estilos.

CINE VERÃO
Segunda, dia 05, 22h40 – Whisky (2004), de Juan Pablo Rebella e Pablo Stoll;
Terça, dia 06, 22h – Amélia (2000), de Ana Carolina Soares;
Quarta, dia 07, 22h – Salomé (2002), de Carlos Saura;
Quinta, dia 08, 22h40 – Latitude Zero (2001), de Toni Venturi;
Sexta, dia 09, 22h40 – Família Rodante (2004), de Pablo Trapero;
Sábado, dia 10, 22h40 – Boleiros, era uma vez futebol (1998), de Ugo Giorgetti.

PROGRAMA DE CINEMA
Sexta, dia 09, 21h – O Bandido da Luz Vermelha (1968), de Rogério Sganzerla;
Sábado, dia 10, 00h40 – Suíte Bahia – reencontro com Agnaldo Siri (2007), de Roman Stulbach;
Domingo, dia 11, 22h30 – Amarelo Manga (2003), de Cláudio Assis.

Amanda Aouad

Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.

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