Editais antes do final do ano

O cinema brasileiro ainda vive de editais, foram muitos os da Secretaria do Estado esse ano, além dos já esperados do Minc e da Petrobrás. Agora, a novidade do audiovisual fica por conta da televisão. Com a chegada da TV Digital e a profusão das tvs públicas brasileiras, editais interessantes para o audiovisual começam a atingir o formato televisivo. Estamos esperando o resultado do edital do IRDEB para programa de televisão, 10 projetos foram considerados habilitados e o mesmo número de inabilitados, o que é algo que assusta. Não menos preocupantes foram os resultados dos programas para rádio. Apenas um projeto para radionovela foi inscrito. Dos três de poesia, nenhum conseguiu ser habilitado e o programa infantil ficou apenas com três projetos habilitados. Será incompetência dos produtores baianos ou a burocracia que invadiu os editais do Estado causaram esse constrangimento? Falando pelo edital de radionovela, creio que o tema tão específico afugentou a maioria dos roteiristas interessados, afinal escrever três novelas, sendo uma sobre Maria Felipa, outra sobre mestre Pastinha e Bimba, além da literatura de cordel do recôncavo, não é simples. Parecia mais uma coisa encomendada.

Por outro lado, o Minc surpreende com dois editais que estão movimentando a classe. Um é o já badalado Animatv, que teve suas primeiras oficinas de formatação de projeto, sendo uma delas em Salvador. Uma vitória da AniBahia, já que cidades-pólo como Recife e Manaus ficaram de fora. Além disso, o diretor do Irdeb anunciou no último dia da oficina que além dos 18 projetos escolhidos nacionalmente, a Bahia terá mais duas bíblias (como é chamado o projeto de animação) escolhidas para produzir o programa piloto. É, sem dúvidas, uma ótima oportunidade para os animadores de todo país.

O outro edital, que está sendo lançado hoje é o FICTV, um projeto para produção de uma minissérie adolescente voltada para classes C, D e E, que será veiculada nas TVs Públicas. Em um país onde o mercado de ficção televisiva é tão restrito, essa é uma excelente oportunidade para jovens roteiristas mostrarem seu talento. A se observar pela qualidade atual das telenovelas, percebemos que essa renovação é mais do que urgente.

Amanda Aouad

Crítica afiliada à Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema), é doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Poscom / UFBA) e especialista em Cinema pela UCSal. Roteirista profissional desde 2005, é co-criadora do projeto A Guardiã, além da equipe do Núcleo Anima Bahia sendo roteirista de séries como "Turma da Harmonia", "Bill, o Touro" e "Tadinha". É ainda professora dos cursos de Comunicação e Artes da Unifacs e professora substituta da Facom/UFBA.

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